segunda-feira, 31 de agosto de 2009

03/11/2007

O dia mais divertido da minha vida (veja bem, não to dizendo o melhor, to dizendo o mais divertido) aconteceu nesse período, posso descrever o dia todo aqui. 03/11/2007

Fomos pra praia passar aquele fim de semana, na sexta a noite combinamos que passaríamos o sábado surfando em Torres, quer dizer, eles passariam surfando, eu passaria bebendo e fazendo as melhores palhaçadas da minha vida.

Acordamos cedo, tipo umas 8 da manhã, enchemos a D20 do Rômulo de pranchas e fardos de cerveja, e claro, de gente, fomos até Torres bebendo e gritando, mexendo com todo mundo.
Pessoal foi dar uma surfada nos Molhes, que é a melhor praia pra se surfar aqui no RS, e eu fiquei lá bebendo, bebi a manhã toda, saímos pra almoçar naquele restaurantezinho da reserva da Guarita, começamos a interpretar que éramos turistas, gritávamos "Turrristaaa Braziiiil" e o pessoal nos aplaudia, batia fotos, filmava, hahahah, o povo brasileiro é um povo realmente muito acolhedor, hahaha

Na hora do almoço, enquanto o pessoal comia, o Cassio fazia que era meu tradutor, depois de encher a pança foi todo mundo dar uma lagarteada numa sombrinha, chegaram umas mulheres lindas perguntando se a gente não tinha seda, quando o cara mais precisa na vida não tem, mas mesmo assim eu trovei, em meio aos surfistas bombados, me senti feliz quando falei a coisa que mais a fez rir, enquanto todos as cantavam desesperados, elas quase me chamaram pra ir com elas no carrão delas(hahahahha, essa parte é minha imaginação, mas eu me apaixonei pela guria que dirigia)!

Saímos de lá e fomos beber mais na Praia Grande, todas as gurias que passavam eu trovava, nenhuma dava papo, normal, além de feio agora eu já tava quase caindo de bebado.

Chamei o Alemão, fomos procurar um bar pra mijar, no meio do caminho as gurias maconheiras passaram por mim e buzinaram, berrei "Turistaaaa" haushaushauhsuah, quanta alegria, enquanto isso lá onde o "nosso carro" estava estacionado, quando voltamos dizem que rolou o maior boxing, nossos amigos deram um pau numa pleiboizada nativa que tava se crescendo pras gurias. Depois os nativos chamaram reforço, o reforço chegou bem na hora que eu cheguei, hahahah, falei meia dúzia de palavras tortas com os nativos da praia, que nos avisaram que só não iam nos matar ali porque a policia sabia que tinha dado confusão e tava de olho.

Ainda assim achamos conveniente voltar pra nossa praia, voltamos fazendo festa na D20, nem aí pra multa, já sem noção, fizemos um escarcel no meio da cidade de Torres, baita gritaria, paravamos aqui e ali pra comprar mais cerveja, numa dessas apareciam umas gurias, trovávamos mais um pouco, voltávamos por carro, e fomos descendo o litoral pra voltar pra Serra Azul.

Na Paraíso compramos mais cerveja, a ultima escala pra comprar cerveja. Voltamos pra D20, já era o Tiago dirigindo, o Rômulo, dono do carro, era um dos vários que já tinham tomado o Game Over, hauhsauhsuahsauhs

Fazendo altas manobras na praia, numa delas meu corpo leve se desprendeu do carro e eu saltei da caçamba da caminhonete, voei e caí de costas no chão, o carro parou, deu ré, o pessoal voltou, desesperado, perguntando se estava tudo bem, eu estava bêbado demais pra sentir qualquer dor no corpo, nisso tava tranquilo, o problema é que eu não conseguia respirar, fiquei preocupado, o Cassio, que foi o primeiro a vir me socorrer, ficou mais ainda, quando falou comigo e viu que eu não conseguia responder nem me mexer, nem sequer respirar.

Mas menos de um minuto depois eu já estava melhor, me colocaram na frente, do lado do motora que nessa hora estava chorando, se sentiu culpado pelo bêbado aqui ter voado do carro, confortei ele, disse que tava bem, peguei outra cerveja, e assim fomos, até chegar a Serra Azul.

Chegando na praia cada um foi pra sua casa, cada um não, eu e mais uns 6 ainda nos metemos no jogo de uma piazada que tava jogando bola. Bebendo ainda, claro, e dessa vez podre, caindo o tempo todo, não conseguindo mais andar em linha reta, lembro de ter dado um lindo corte num adversário, outro corte em outro adversário, pintava um golaço, na hora do chute acertei o vento com toda minha força, bola foi-se embora, eu fiquei no chão, dali só saí carregado pelos meus amigos até a casa do tio Toninho. Lá chegando recebi a informação de que pela primeira vez um goleiro do Grêmio havia feito um gol, iupi.

Fui pro banho gelado e dormi até as 10 da noite.

Então as 10 chegaram os amigos convidando pra festa que era o que tinha feito a gente sair de Cachoeirinha e ir até a praia. Não conseguia nem me mexer, respirar doía, sério mesmo. Mesmo assim fui pra festa, alegria de todo mundo por me ver ali, bem, sorrindo, hahaha, o tombo foi tão feio que muitos acharam que nunca mais me veriam vivo.

Ficamos na festa até umas 3 ou 4 da madruga, quando a festa acabou, ainda houveram relatos de que o Alemão dormiu no banheiro do salão que a festa aconteceu, hahaha, ô gurizada bem doida.

Sei que aqui não descrevi nada de muito engraçado, mas só quem tava na caçamba daquela caminhonete sabe o quanto aquele dia foi engraçado. O mais engraçado da minha vida.

Lavei a alma nesse dia, voltei da praia renovado, uma das fases mais felizes da minha vida.

Enquanto o Son tava no Haiti...

...a gurizada aqui seguia o baile.

Foi legal que os casaizinhos que aparentemente rolariam não vingaram, nenhum deles, então a gurizada se via direto.

Na verdade o Tiago veio aqui pra casa e morou por umas duas semanas aqui, pegou exatamente aquelas semanas de Grêmio na final de Libertadores, passávamos as tardes inteiras, e até algumas madrugadas fazendo com que o Villarreal se tornasse o maior clube do planeta no Fifa 2007, ou então no Brasfoot, aos fins de semana íamos para seu melancólico apê, gastar dinheiro com besteira, mas era bom, boas lembranças, era tão bom que virou rotina. Naquele inverno de dois mil e sete íamos todas as sextas pro Altas Horas, em Canoas, tinha noite que gastávamos 200 reais naquelas festas, eu, desempregado, só ia no embalo do Tiago, voltávamos pra casa dele sempre as 6, 7 da manhã, sempre com gente diferente, sempre com gente suspeita.

As vezes fazíamos alguma festinha na casa do Leco, as vezes eu ia tocar com uns amigos lá da comunidade do RHCP, já que a Ambulatorio tava parada esperando o Son voltar do Haiti, as vezes íamos pra praia, sempre com muito trago, como no vídeo abaixo, haha

Nessa época íamos todos os domingos a tarde pro bar do seu Duarte, onde hoje funciona o Formiga Atômica, tocar um violãozinho e ganhar cerveja de graça tocando sertanejo, hahahaha, bons tempos.

Ainda deu tempo de se desviciar do Fifa e se viciar no Gran Turismo, vinha chegando o verão, ow que coisa boa. Também me viciei em Cinema, passava o dia inteiro baixando filmes cults, e passava as madrugadas vendo as obras primas que passavam sempre na Ulbra Tv!

Eu continuava desempregado, ia passar o verão quebrado, mas não tava nem aí. O primuxo ia voltar e ia bancar as festas pra gurizada, hahahah

sábado, 29 de agosto de 2009

Temporada de caça ao ajorjo com sua camisa de mangas vermelhas

Começamos no Carnaval com uma sequencia de festas impressionante, era toda sexta, já imendava no sábado, isso no começo, depois as festas se arrastavam pro meio da semana.

Aquela coisa de "viver a vida intensamente como se fosse o último momento" tava acontecendo, a cara de alegria do parceiro véio aqui é visível em todas as fotos desse tempo, vide essa aí ao lado, referente a primeira noite do carnaval de 2007, que mais ou menos uns 20 cabeça lotaram a Kombi do Marquinhos pra ir pra festa.

Na segunda noite daquele carnaval a festa bombou mais ainda, não me lembro muito do que fiz, mas sei que gostei, haha, na volta, depois de já ter amanhecido lotamos os carros, principalmente a Kombi do Marquinhos, e viva os fanfarrões, eu já ri muito vendo gente contando piada, vendo programas de humor, etcétera, mas do jeito que rimos naquela Kombi é difícil de ver, lembrando da sensação de cagaço a cada freada até hoje eu me fino rindo. Pequenos momentos que se não fosse a foto aqui eu talvez nem lembraria, patuvecuméquié!

Não me importaria de postar aqui todas as outras fotos daquele Carnaval, mas espero que isso seja mais um blog escrito do que de imagens. Também não será por falta de fotos que esquecerei dos Caras do Zerinho demonstrando toda sua competência na beira do mar, e de quantas vezes eu, dentro daquele carro, o Nervoso, acabei pensando: "pow, agora que eu não queria mais morrer meus primos vão me matar?", hauehaueuaheuaeh, era demais.

Mas chega de Carnaval, não foi o melhor Carnaval de toda a história do Universo pra eu ficar aqui só falando dele, ainda estávamos em março e teríamos muita, mas muita festa pela frente, e quando não fosse ter festa, a gente organizava alguma.

Depois do Carnaval organizamos na sexta 16 um churras com caipira na casa do Son, devo ter feito uns 20 litros de caipira nesse dia, ôw beleeza.

A foto ao lado trata-se desse dia. Não lembro o que teve no dia 17, mas certamente foi coisa boa.

Nos fins de semana seguintes seguimos assim, na sexta, festa num casarão de algum conhecido de alguém, no sábado, festa num casarão maior ainda de algum outro conhecido de alguém.










Era festa com muita ceva na piscina da casa do Marquinhos num dia... No outro era psytrance no Jaiminho, com mais cerveja ainda, e piscina denovo.

Hahaha, bons tempos, e assim foi indo, quando não tinha casa gigante pra fazer festa pra 20, 30 cabeça, íamos ao Service Point, ou outros similares.

Enquanto as festas rolavam o Grêmio ia de façanha em façanha, metia 4 no Caxias em jogo épico pela semi-final do Gauchóvsky, já tinha matado o São Paulo e o Defensor na Libertadores.

Nos já tínhamos viajado pra Nova Petrópolis algumas vezes, e curtido horrores, por sinal, não vejo a hora de voltar pra lá.

Assim passamos aquele primeiro semestre, quando não estávamos em festas, nem viajando pro Interior, íamos pra praia, hahaha, lá passamos a semana do aniversário do Son, foi a semana do primeiro jogo entre Grêmio x Santos pela Libertadores de 2007.

Entre muitas coisas dessa semana, lembro do começo da viagem, um frio de 5°C aqui em Cachoeirinha, viajamos no friozão, paramos num lugar lá fora e compramos um garrafão de vinho dos mais confirmado, uns pães, um queijo colonial e salamito colonial, metemo a ranguera e fomos bebendo até a praia, fiquei gripadão mas não deu nada.

Nos dias seguintes saíamos com a cuia e erva mate na mão, mas a erva que a gente usava era outra, hahahah, teve gente me aparecendo com teorias que explicavam as cores diferentes das lâmpadas nos postes, quem tava no carro na hora vai se lembrar.

Voltamos pra casa da praia naquela noite, estava todo mundo acordado, e eu, zoião vermelho escancarando tive que inventar desculpa pras tias, todo mundo reunido pra ver Grêmio x Santos, como tinha ficado gripadão uns dias antes meti a desculpa da doença, que tava com febre e pararan, me encheram de remédios, vi o jogo chapadasso, além da ervinha que eu tinha fumado agora tinha mais umas outras 5 substâncias químicas circulando pelo meu corpo. Não dá nada, Grêmio ganhou e depois eu poderia ver todo aquele balaio que o Grêmio socou no youtube.

Num dos outros dias na praia aconteceu isso, tinha um laguinho na beira da praia, meu primo atravessou por dentro, eu não queria molhar as pernas, então apostei com ele que saltaria por cima do valinho, o resultado tá aí abaixo.


Voltando pra Cachoeirinha, estávamos na primeira semana de junho, festa de despedida pro Son(foto), agora não tinha mais choro mesmo, o primo parcerão que se criou comigo estava indo pra uma viagem pra um país em guerra, e o risco de que ele não voltasse assustava demais.

A festa em si foi boa, juro que não lembro de muita coisa, mas guardo pra mim as coisas que lembro dessa festa.

Oloko mew, o primo se foi pro Haiti, as festas se acabariam, daqui a pouco tudo sobre o super inverno de 2007.

Doismilissete.

Fiquei um tempão sem escrever aqui, ficou a parte deprê estampada pra todo mundo mais de uma semana e já vejo gente passando por mim na rua com cara de pena, hahaha, vamos arrumar isso agora então.

Como eu tenho falado para todos meus leitores que me encontram nos botequins da vida, toda grande história precisa de um momento difícil antes do final feliz. Meu momento difícil foi 2006(até o Inter conseguiu ser campeão do Mundo com um gol do Gabirú, pra ver a fase), hoje em dia estou feliz e saltitante como uma pimponeta fonoaudiológica.


Voltando a história.

Ao fim daquele ano, como me conta meu álbum no orkut, fui pra praia curtir o Reveillón com a gurizadassa de sempre! Trago, trago e mais trago, também foram pra praia o nosso vocalista, Mr. Gomes, e a sua já famosa irmã gostosa(que eu nunca peguei nem tentarei pegar, antes que amigos me decapitem) supracitada nesse blog, lembro que tinha gente mutcho loca, na foto que a gente conseguiu pro Reveillon não saiu a maioria, bebassa, tomando glicose nas barraquinhas médicas. Eu de mão dada com o Gomes na foto trata-se de uma mera montagem da imprensa pra sujar o nome da banda Ambulatorio.

Não peguei ninguém nesse Reveillon denovo, nem saí tentando, como era a tradição, mas aí eu tava completamente acostumado, legal foi um amigo que pegou a Risco, mas não vou citar nomes porque esses tem esposas de fácil irritação ciumática.

No dia seguinte teríamos que voltar de motoca denovo pra Cachoeirinha, eu e o Son trabalharíamos dia 2, essa foto foi tirada uns 5 minutos antes de irmos embora, na viagem passamos pelo Mister Pi, não falamos nada, nem fizemos nada com ele, mas eu não me esqueço dessa merda.

Quando cheguei em Cachoeirinha e vi essa foto tive pela primeira vez a impressão de que estava perdendo cabelos, ô tristeza.

Em Cachoeirinha eu fiquei naquela de trabalhar durate a semana e no fim de semana ir pra praia até o dia 31, que seria o meu último dia de emprego.

No último dia uma choradeira das colegas, até meu olho lacrimejou! hehe! Eu estava louco pra me livrar de lá, mas não pra me livrar das colegas, enfim, por força contratual, tive que sair.

Fui pra praia e passei o resto do verão lá, agora não tinha mulé, não tinha emprego, não tinha aula, mas tinha um dinheirinho, oooow que beleeeza!

Meu primo e baterista da banda encararia no meio do ano uma missão de paz do Exército no Haiti, então lá por março começamos com um intensivo, festa atrás de festa, cerveza pra que te quiero, trabalho que é bom nada.

Começamos naquele final de fevereiro, antes de entrar pro Carnaval, pessoal se juntava na casa do Son e ficava o dia inteiro baixando Polar...

Daí em diante nunca mais me veriam com a cara amarrada da foto acima. Emocionante!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fim de 2006

Chegou o fim do ano de 2006 e eu tava virado num nerd viciado em orkut, era moderador da comunidade do Red Hot no orkut, tava sempre online, tava sempre conversando com gente que eu não conhecia pessoalmente.

Então num curto período de tempo fiz revivals interessantes com gente que eu andava afastado.

Primeiro um revival com a banda, que estava parada há alguns meses, de quebra ainda consegui conhecer um dos colegas nerds de moderação da comunidade, e sua irmã, que na época eu era bem a fim de dar uns pegas, mesmo com sua idade bem pouco avançada, menos mal que não peguei, poderia até ser preso naquele dia.

O show foi bom, como foi numa casa de rock, quando tocávamos musicas lentas o pessoal sumia, quando tocamos Give It Away a casa caiu, o pessoal pulava, berrava, sei lá, foi de arrepiar.

Depois do show a banda entrou em férias de verão, já estávamos entrando no mês de dezembro.

O outro revival foi com os primos, lembro que aquele quarteto, por fatalidades do destino, não se juntava mais há anos, inclusive nos verões, quando 3 deles estavam na praia, o outro estava trabalhando na cidade.

Nesse dia não, nos encontramos e ficamos o tempo todo falando merda, fumando tudo e bebendo Heineken. Mais tarde chegariam umas cascudas, uns pegaram, eu preferi não encarar, acho que hoje em dia eu teria ido, na época fiquei "receoso", hahahaha

Mas o que valeu foi o encontro com os primos, pra mim que há muito não via gente, encontrar 3 dos preferidos numa época que tudo dava errado foi inesquecível.

Voltando a minha realidade de nerd viciado, estava gostando novamente de outra desconhecida de longe, e o pior é que essa eu nunca havia visto o rosto, mas não sei porque nessa época todas as coisas boas que aconteciam eu contabilizava como ruins, acho que tava com o capeta no couro, ô deprê!

Pra evitar encontrar com parentes 100% pra cima que geralmente ridicularizam quem diz que não tá bem não fui pra praia no Natal daquele ano, fiquei sozinho em casa, na noite de Natal ainda me convidaram pra fazer a ceia na casa do Alex, com o Son, mas se tem uma dupla que alguém que tá curtindo a deprê tem que evitar é o Alex e o pai dele, hahaha

Fiquei em casa mesmo, tinha comprado uma lata de cola, cocaína, maconha, whisky e várias caixas de cigarro, acordei cedo naquele domingo dia 24, de ressaca, e passei o resto do dia me drogando do jeito que dava, vi de tudo que podia e até o que não podia naquele dia, esperando que uma overdose me levasse de vez, assim eu não pareceria um emo que tentou suicídio.

Lembro dos foguetórios na noite, muitos foguetes, eu não ouvia barulho de foguetes, era um eco seco na cabeça, eu tive a noite inteira a sensação idêntica a de quando eu batia a cabeça na escadaria dos condomínios lá no Leopoldina.

Vi cores inéditas, escutei barulhos de outros planetas, outras galáxias, passei por várias civilizações e eras glaciais em poucos minutos, com a sacola de cola na mão, quase morrendo, dentro do meu quarto, com a janela aberta, aparece um senhor barbudo, com barbas brancas me perguntando algo do tipo: "tu realmente queres atravessar este portão?", lembro de não conseguir respirar por alguns segundos, pensando: "não, eu quero voltar logo".

Então voltei a mim, e ainda totalmente desorientado refleti sobre o que estava acontecendo de tão ruim na minha vida, percebi que não tinha nada, que a maioria era coisa da minha cabeça, fiz um trabalho interno forte de recuperação, comprei um tênis novo e roupas novas, hahaha, sempre ajuda, foi minha primeira e última experiência com a famosa depressão.

Me afastaria um pouco do computador, voltaria a viver a minha vidinha.

Lembro de no dia 29 ir pra praia de moto com o Son, e no mesmo dia tirar esta foto. A cara de louco sequelado realmente existe, mas aí, nesse instante, já se tratava de um Bolas muito parecido com o dos dias de hoje.

Adeus faculdade - Melhor instrumentista.

Quando entrei pra faculdade pensava que sairia dela em 14 semestres, infelizmente, ou felizmente, saí logo no começo do quarto semestre.

Insisti, insisti, e insisti. Não adiantou, eu realmente não queria ser um administrador, muito menos um contador. Esperei renovar o contrato de estágio pelos últimos 6 meses e pedi as contas da facul, gastei quase 4 mil reais numa coisa que eu nunca quis.

Bolas pra frente, agora teríamos todas as noites livres novamente. E fins de semana também, afinal o que mais tava me deprimindo até então era não ter mais tempo disponível pros amigos.

O grande problema agora é que os amigos não tinham mais tempo pra mim, os primos todos estavam casados, comecei a passar o tempo inteiro na frente do computador, conversando com os amigos da internet.

Quando as vistas começavam a doer eu pegava a guitarra e compunha alguma coisa. Nesse período entre julho e setembro de 2006, inspirado pelo lançamento do Stadium Arcadium, devo ter composto umas 7 ou 8 musicas, a maioria eu não aproveitei, mas algumas são tocadas até hoje pela banda.

Em setembro de 2006 a banda tocou num festival de bandas de Cachoeirinha, tocamos 3 musicas próprias e uma cover, By The Way, do RHCP.

Parece que não gostaram muito da gente, digo, deles, de mim gostaram, fui eleito o melhor instrumentista entre os 40 e poucos do festival, eu já sabia, hahaha, o baixista, Dudu, ficou em segundo. Dinheiro que é bom, nada, ganhei um troféuzinho de plástico que quebrou na primeira dobrada.

Mas não dá nada, pelo menos o reconhecimento por algum talento foi dado naquela noite.

Camisa 1994

Em março de 2006 vazou a primeira música do que seria o novo cd dos Red Hot Chili Peppers, sabendo que pela frente viria um disco duplo de 28 músicas, comecei a usar o tal orkut pra alguma coisa, corria atrás de informações, possíveis novas faixas do disco, etc...

Numa dessas madrugadas de sábado pra domingo, que acabei não saindo de casa, vazou o cd inteiro na comunidade da banda no orkut, o lançamento do disco era previsto pra o dia 9 de maio, dia 30/04 eu já tinha ele inteiro.

No ensaio do dia 07 de maio, na mesma semana do lançamento de Stadium Arcadium, a Ambulatorio toca pela primeira vez um música própria, Onde a Sorte Levar, que já iria pro repertório da banda nos show seguintes.

Show todos em que, por sinal, usei a mesma camisa, incrível, dava essa coincidência de todo dia de show eu estar com a mesma roupa, juro que não era uniforme de show.

Tocamos várias vezes no Café Gravataí em Madrid, tá, é uma piadinha infame, Café Madri era o nome da casa de shows em Gravataí, onde hoje em dia funciona uma casa destinada a Máfia Italiana.

Depois dos shows, enquanto a banda ficava confraternizando, feliz, bebendo de graça, eu vinha pra casa desabafar sobre as desilusões amorosas com uma amiguinha que conheci na internet, nos falávamos todos os dias até ela começar a dizer que me amava loucamente, e que queria me encontrar de qualquer jeito, queria vir morar comigo, ou queria que eu fosse pra MG morar com ela, hahaha

No começo eu achava uma tremenda palhaçada, até ria, mas ela era tão, mas tão bonitinha que com o tempo comecei a aceitar como possibilidade real, e ficava o dia inteiro falando com ela, no trabalho, na faculdade, em casa eu já tinha colocado banda larga principalmente por ela, até que um dia ela sumiu e eu percebi que sentia falta dela, mesmo que fosse só pra conversar, que nunca houvesse o toque final, nem nada, mas tá, quando ela sumiu conheci um outro amigo, da mesma comunidade, que tinha o mesmo tipo de diálogo com ela, contou que ela dizia pra ele as mesmas coisas que dizia pra mim, tinha as conversas salvas, tinha print-screens de "sacanagens virtuais" deles.

Mais uma vez na vida eu me sentia um troxa enganado por uma guriazinha qualquer, e o pior é que dessa vez era uma garota que eu nunca tinha pego, hahaha

Agora eu era um cara com raiva das mulheres bonitas ao vivo, e no msn também. Passava horas me perguntando porque todas as mulheres do mundo não eram como uma prima minha.

Fiz uns concursos públicos na época, mas não adiantava, eu não conseguia me concentrar pra estudar, a coisa tava feia, na faculdade eu já nem aparecia mais, tinha brigado com a professora de Sociologia, só terminei de pagar aquele semestre pra continuar com o estágio.