Então num curto período de tempo fiz revivals interessantes com gente que eu andava afastado.
Primeiro um revival com a banda, que estava parada há alguns meses, de quebra ainda consegui conhecer um dos colegas nerds de moderação da comunidade, e sua irmã, que na época eu era bem a fim de dar uns pegas, mesmo com sua idade bem pouco avançada, menos mal que não peguei, poderia até ser preso naquele dia.O show foi bom, como foi numa casa de rock, quando tocávamos musicas lentas o pessoal sumia, quando tocamos Give It Away a casa caiu, o pessoal pulava, berrava, sei lá, foi de arrepiar.
Depois do show a banda entrou em férias de verão, já estávamos entrando no mês de dezembro.
O outro revival foi com os primos, lembro que aquele quarteto, por fatalidades do destino, não se juntava mais há anos, inclusive nos verões, quando 3 deles estavam na praia, o outro estava trabalhando na cidade.Nesse dia não, nos encontramos e ficamos o tempo todo falando merda, fumando tudo e bebendo Heineken. Mais tarde chegariam umas cascudas, uns pegaram, eu preferi não encarar, acho que hoje em dia eu teria ido, na época fiquei "receoso", hahahaha
Mas o que valeu foi o encontro com os primos, pra mim que há muito não via gente, encontrar 3 dos preferidos numa época que tudo dava errado foi inesquecível.
Voltando a minha realidade de nerd viciado, estava gostando novamente de outra desconhecida de longe, e o pior é que essa eu nunca havia visto o rosto, mas não sei porque nessa época todas as coisas boas que aconteciam eu contabilizava como ruins, acho que tava com o capeta no couro, ô deprê!
Pra evitar encontrar com parentes 100% pra cima que geralmente ridicularizam quem diz que não tá bem não fui pra praia no Natal daquele ano, fiquei sozinho em casa, na noite de Natal ainda me convidaram pra fazer a ceia na casa do Alex, com o Son, mas se tem uma dupla que alguém que tá curtindo a deprê tem que evitar é o Alex e o pai dele, hahaha
Fiquei em casa mesmo, tinha comprado uma lata de cola, cocaína, maconha, whisky e várias caixas de cigarro, acordei cedo naquele domingo dia 24, de ressaca, e passei o resto do dia me drogando do jeito que dava, vi de tudo que podia e até o que não podia naquele dia, esperando que uma overdose me levasse de vez, assim eu não pareceria um emo que tentou suicídio.
Lembro dos foguetórios na noite, muitos foguetes, eu não ouvia barulho de foguetes, era um eco seco na cabeça, eu tive a noite inteira a sensação idêntica a de quando eu batia a cabeça na escadaria dos condomínios lá no Leopoldina.
Vi cores inéditas, escutei barulhos de outros planetas, outras galáxias, passei por várias civilizações e eras glaciais em poucos minutos, com a sacola de cola na mão, quase morrendo, dentro do meu quarto, com a janela aberta, aparece um senhor barbudo, com barbas brancas me perguntando algo do tipo: "tu realmente queres atravessar este portão?", lembro de não conseguir respirar por alguns segundos, pensando: "não, eu quero voltar logo".
Então voltei a mim, e ainda totalmente desorientado refleti sobre o que estava acontecendo de tão ruim na minha vida, percebi que não tinha nada, que a maioria era coisa da minha cabeça, fiz um trabalho interno forte de recuperação, comprei um tênis novo e roupas novas, hahaha, sempre ajuda, foi minha primeira e última experiência com a famosa depressão.Me afastaria um pouco do computador, voltaria a viver a minha vidinha.
Lembro de no dia 29 ir pra praia de moto com o Son, e no mesmo dia tirar esta foto. A cara de louco sequelado realmente existe, mas aí, nesse instante, já se tratava de um Bolas muito parecido com o dos dias de hoje.

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