quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O segundo semestre eletrizante de 2001

Pois bem, até onde paramos eu não tinha bandinha, não tinha namoradinha, nem saía a noite né?

haha, agora que as coisas mudam, champs.

Em julho eu comecei a andar com um pessoal mais velho, maior de idade, e com eles ia pra tudo que era lugar, sempre tinha alguma festa maneira na casa do Renê, sempre muito rock ao vivo rolando, eram umas 3 bandas que ensaiavam naquela garagem. Sempre um garrafão de vinho, era muito estranho beber sem ser com aquele pessoalzinho de sempre da praia, era muito legal também, hahaha, sempre tinha alguma guriazinha diferente...

A questão é que só olhar os caras tocando, balançar a cabeça, e aproveitar os intervalos pra pegar as guitarras deles tinha perdido a graça, queríamos mais.

Então, no dia 7 de setembro de 2001, Wagner Rehn, Bolitas Lipert e Dudu Fevereiro criam a Banda Ambulatorio.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, Osama Bin Laden também estava empolgado executando seus projetos e realizando seus sonhos, tá certo que depois disso ele nunca mais apareceu, mas pra mim a coisa realmente tava caminhando pra glória.

Eu era totalmente "popular" na escola(hahaha, coisa de American Pie isso) entre a turma do rock por fazer parte de uma banda e tocar nas festas do Renê.

Isso me levou a conhecer em outubro a Ana Lúcia, a paixão mais inocente e mais curta da minha vida, a rockeira do colégio, colega do meu primo, enfim, tudo conspirava pra que nos déssemos bem mesmo.

"Ahhh, as aulas? hahaha, esquece, já tenho uma banda e to trovando todo dia uma guria que to apaixonado, ainda saio toda noite com meus amigos, eu sou o cara mais feliz do mundo, não preciso estudar"

Era o que eu falava, e olha, se pudesse voltar no tempo e fazer tudo denovo faria tudo igual.

Dormir perdeu o sentido, a vida chegou num ponto tão, mas tão legal, que eu não dormia a noite com ansiedade de chegar o dia seguinte.

Ia pra escola e matava aula, ficava o tempo todo com a Ana no pátio da escola, os supervisores e coordenadores já nem sabiam mais o que fazer, eu já fumava escondido na escola também, mas conhecia pelo menos um podre de cada um dos supervisores e eles nada podiam contra mim, além disso, eu já tinha amigos com um certo poder criminal no bairro, eu era totalmente livre e poderoso.

No final de outubro a Ambulatorio tocou pela primeira vez num palco, a noite, num festival de bandas no Colégio Polivalente, a tia da Ana não deixava ela ir junto, era uma mocinha de família, hahaha. Nessa época eu fumei maconha pela primeira vez, odiei, fumei denovo, gostei.

Nas aulas eu nem fazia mais idéia do que acontecia, não comparecia, ia a escola só pra encontrar a Ana, saía da escola as 10 da manhã sem nem aparecer na sala de aula. Dávamos umas voltas pelo Shopping do Vale, depois ela ia pra casa dela, eu pra minha ou pra do meu primo jogar Cart World Series, Fifa e Formula 1 2001, ou ainda pra do Gordo, pra depois irmos pra casa do Renê fumar alguma maconhazinha. E durante a noite, enchíamos 2 ou 3 carros e ia toda a turma pro calçadão beber muita ceva e fumar muitas dorgas.

Começaram a acontecer algumas intrigas na banda, todo mundo começou a brigar com todo mundo, eu já nem lembro mais quem tocava o quê naquele final de ano, só lembro que a banda tava acabando.

De legal naquele ano ainda, no começo de dezembro, foi o casamento da minha prima Marcia. Onde vi primos que não via há muito tempo, e depois de acabar a festa saímos com 10 garrafas de cerveja debaixo dos braços e fomos beber na esquina de casa. Tomar um porre com irmãos de sangue e abrir o coração pela primeira vez é algo que você não faz sempre na vida, eu fiz naquele dia e nunca me esquecerei: "I Love Porto Verde!"

O ano letivo estava acabando, e eu, feliz da vida que tinha sido reprovado, já com o cabelo crescendo, só esperava que chegasse 2002 pra eu continuar no segundo ano, estudando com o Son, e principalmente com a Ana.

Só que aí a Ana voltou pra cidade natal dela, hahaha, sabe como é vida de Bolas né, nada pode ser perfeito, nem perto disso.

Rodei pra estudar com ela e nunca mais a vi, ainda bem que os amigos da banda voltaram a se falar, e teríamos um verão inteiro pra distrair a cabeça e esquecer do fatality.

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