Pois então, como este blog é muito mais para que no futuro eu me lembre de situações passadas, vou começar escrevendo sobre as situações mais antigas que recordo na minha vida.
Minha infância no Jardim Leopoldina.
Não lembro de muita coisa dos anos 80, pra falar a verdade não lembro de nada.
Lembro é do primeiro video-game em 1991, ô sensação mais doida, jogar Atari o dia inteiro;
Lembro que tinha uma professora de primeira série que morava no primeiro andar do meu prédio, que como era cliente e muito amiga da minha mãe sempre me passava exercícios de escola, como aprender a ler e escrever, hehehe, com 5 anos eu já fazia o que toda a criançada só aprendia com 7...
Lembro que a linha de ônibus passava exatamente na frente do prédio em que eu residia, no quarto andar. E eu, que sonhava em ser fiscal de empresa de ônibus, ficava sentado em frente a janela anotando os números de todos os ônibus que passavam;
Lembro de adorar passar as tardes jogando no CCE do Giulian, ou brincando nos brinquedos da Grazi, e brincando de médico com a Grazi, hahahaha; E ainda, principalmente, passar tardes inteiras mexendo nos brinquedos do Leonardo, principalmente quando a prima deste, a linda e loira Nathalia, minha primeira namoradinha, estava lá;
Lembro da entrada do ano de 92, lembro que estreiaria na Tv mais uma novela com a Vera Fischer, lembro das propagandas sobre as Olimpíadas da Espanha, me apeguei ao fato da bandeira da Espanha ficar bem na bunda do boneco da propaganda;
Lembro que nesse ano eu entraria na primeira série, e seria disparado o mais novo da turma. E de fato vim a ser, ainda lembro que era disparado o menor aluno da classe, e que a primeira série foi muito fácil;
Lembro das visitas dos meus primos, lembro que o Tiago e o Son adoravam atirar meus bonequinhos pela janela do quarto andar, com sacolinhas que serviam de paraquedas, e eu nunca mais via a cor dos bonequinhos, mas pra eles era divertido, hahaha;
Lembro das primeiras férias de inverno, que passei uma semana na casa do meu primo, que tinha uma educação totalmente exemplar, tínhamos que chamar os tios de senhor e as tias de senhora, no começo foi um saco, depois virou automático, e até hoje sou uma pessoa educada, e boa parte disso graças ao Tio Toninho, cara esse que não precisa mais pedir pra ser respeitado, é a pessoa no mundo que eu mais respeito;
Lembro de centenas de pessoas com as caras pintadas e faixas e cartazes gritando Fora Collor, e fazendo uma festa gigantesca ao final de seu processo de impeachment;
Lembro de plantar uma árvore na escola David Canabarro, é bem provável que ela esteja lá até hoje, se estiver, que bom, mas é algo que nunca vou saber;
Lembro do Internacional se sagrando campeão da Copa do Brasil em cima do Fluminense, numa época que o Grêmio enfrentava a série B do campeonato brasileiro. Lembro que quando os amiguinhos colorados saíram vibrando felizes eu me senti feliz demais pela felicidade deles, hahahaha, mas meu pai não entendeu, e gremista fanático, teve como primeira atividade do dia seguinte a compra de uma camisa infantil do Grêmio pra me presentear. Ali naquele momento eu ainda não sabia, mas seria um dos momentos mais importantes de minha vida;
Lembro de começar a segunda série, ser tratado como um gênio pelos professores, de ter sido afastado da Nathalia por nossos pais por termos sidos flagrados namorando em advanced level atrás de um sofá;
Lembro de ter me apaixonado pela professorinha estagiária de 17 anos Mariângela Pozza, e por último, lembro de minha família sendo despejada do apartamento, da cara de decepção dos meus pais, de tristeza, sensação de impotência, fraqueza, na época não dei bola, sabe como é criança, hoje tenho noção da barra que passaram.
Enfim, como quase todas as irmãs e irmãos de minha mãe vindos de Torres se instalaram na parada 57 de Cachoeirinha, minha mãe pensou que seria a hora de fazer o mesmo, e demoraria a dar certo, mas isso é outra história, pro próximo episódio.

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