Final de 99, entrada dos anos 2000. Todo mundo preocupado com bug do milênio, eu cagando pra isso. Só queria ficar escutando meu Só no Forévis dos Raimundos e o Preço Curto... Prazo Longo do Charlie Brown Jr..
Tinha amigos(Dudu, Tiago) aprendendo a tocar violão, e cagava pra isso, gostava mais de tocar teclado, que poderia simular uma banda completa, isso tudo até conhecer o Júnior na praia.
Naquele verão de 2000 o Junior arrastava a galera pra onde queria, o quê ele fazia? Ia com um violão ou uma guitarra até algum barzinho e passava ali a noite cantando e ganhando cerveja de graça. De quebra mulherada caía em cima. É ou não é o canal?
Pois é, desisti do teclado, meu sonho agora era ter um violão, mas não, eu não tinha. Tudo o que eu podia fazer era ir até a casa do meu primo na praia e tocar no violão do pai dele sempre que desse um tempinho, comecei tirando a intro de Come As You Are, do Nirvana, que era a música que o Junior sempre tocava, mas não choveu aquela mulherada na horta, nem ganhei um violão, voltei frustrado pra Cachoeirinha.
Mas tudo melhoraria, o irmão do Dudu tinha um violão, e eu indo na casa do Dudu de vez em quando certamente teria acesso ao tal instrumento. Ia pra lá e tocava meia hora de Come As You Are, hahahaha, eu não queria fazer outra coisa. Nisso também apareceu o Jonas, que também tocava violão, começamos a andar juntos eu, o Jonas, o Dudu e o Son pra tudo que era lado. Era uma dessas futuras bandas que se formam na adolescência. Até que o Jonas e o Dudu se agarraram no soco uma vez e nunca mais se falaram.
Lá por outubro de 2000 o Jonas me deu o violãozinho dele, antes de se mudar pra Taquara. Aí pronto, veio aquela vontade de aprender mais do que Come As You Are. E no primeiro dia com o violão em mãos comprei uma revista Cifras & Letras e passei 9 horas a fio tocando todas as músicas que eu conhecia da revista. No outro dia já fui pra escola com o violão debaixo do braço, e era assim, 24 horas por dia com o violãozinho acompanhado. Dedos descascando em carne viva e eu lá, feliz da vida.
Em um mês eu já tocava firme, sem errar, umas 3 ou 9 músicas inteiras. Na metade de novembro fui com o Dudu e com o Erisson a um show de bandas punks em Gravataí. Era legal demais, eu nunca tinha visto alguém tocando uma guitarra de perto, era a coisa mais sobrenatural, na minha cabeça uma guitarra era coisa só pra milionário.
Uma semana depois fomos a casa de um outro amigo que tocava, e nesse dia eu toquei numa guitarra plugada, com pedaleira e caixa de som.
Nossa, Galaaaaaaaaaaaaatto, sem palavras, nem a primeira vez que comi alguém foi tão emocionante, nem tão nervoso.
Ali eu já sabia o que queria fazer pro resto da vida. Os outros amigos que se tornassem baixistas ou bateristas, haha, porque o guitarrista era eu, e pra me desbancar teria que ser melhor que eu, e pra não dar chance, eu não tocava menos que 12 horas diárias naquele violãozinho duro, pra hora que chegar uma guitarra eu já saber totalmente o que fazer.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
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