Não prestei atenção em nada, ficava fazendo contas de o que poderia fazer com os 630 que eu tinha no banco, afinal não precisava prestar atenção na aula, no final eu sempre conseguiria tudo com algum colega, hahaha, na escola era assim, e eu pensava que na faculdade seria igual.
Na primeira aula de contabilidade decidi o que fazer com meu dinheiro, seriam 160 reais no Red Nose que eu tinha visto, mais 100 em calças jeans e o resto em camisas e cervejas, foi o que eu fiz, como parecia que tinha que andar todo mundo com a mesma camisa na faculdade, passei só a usar essas camisas de tiozinho, com botões, nada de camiseta da Volcom, que era tudo na época pra um guri de 19 anos.
Nessas de ratiação eu ainda consegui me recuperar, mas recomendo a quem esteja começando uma faculdade se dedique, não faça como eu, escola é uma coisa, faculdade é outra.
Uma coisa que me surpreendeu, é que eu entrei pra faculdade de Contabilidade pra passar o tempo todo fazendo contas, estudando descobri que pra um contador o mínimo é contas, o mais importante é você saber como passar a perna no Leão, quanto melhor você for pra fazer alguma mutreta, melhor você será um contador, e eu não curti muito essa coisa.
Sobre os amigos de sempre? Bah, não conseguia mais vê-los, era trabalho demanhã e a tarde, e a noite facul. Quando dava uma folga eu já nem sabia como aparecer nos amigos, quando resolvia ir até a casa de algum deles eles nunca estavam, já nem visitava ninguém, mas ficava em casa rezando pra que alguém chamasse pra alguma coisa.O único tempo que tive pra passar com a família foi na Páscoa de 2005. Então, depois de um churrasco, com toda a família reunida, eu decidi pegar a bicicletinha do meu primo e sair andando em altissima velocidade com ela(meus amigos estavam comprando motocicletas, eu precisava de uma emoção dessas também), numa das retas eu devo ter botado uns 30 por hora com aquela bicicleta, na hora da curva, bom, era certo que a bicicleta sem freio não daria conta, ainda fui tentar, caí com tudo no chão, piquei com a cabeça no paralelepípedo, saí arrastando costas, lombo e joelhos por 5 metros, escutei risadas, tentei me mexer pra mostrar que tava tudo bem, mas não consegui, hahaha, então todo mundo veio preocupado, do nada veio a força e eu levantei, então bateram essa foto aí em cima, um dos acidentes mais terríveis da minha vida.
Raramente um ou outro amigo chamava pra alguma coisa, quando não tinha trabalho da faculdade nem livro pra ler restava era ir com o Dudu pra casa do Gordo em Canoas fazer o de sempre, beber, fumar e rir das egocentrices do Gordo.
Ao fim daquele semestre decidi que trocaria o curso, faria Administração, já que não sabia o que queria fazer, hahaha

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