Então voltamos pra Cesuca, em novos prédios, agora sim com cara de faculdade, eu, pra não ficar pra trás, andava todo socialzinho, era o genro que todo sogro quer, um cara certinho, estudioso, cabelinho pro lado, roupa social e sorriso no rosto.
Os amigos entraram numa de se casar, tava todo mundo namorando umas mina tri mais ou menos, já nem dava mais vontade de aparecer na família, parecia que por onde eu andava o pessoal cochichava: "O Bolas é cabaço, o Bolas nunca aparece com namorada, acho que o Bolas é gay", e por aí vai.
Num desses sábados de março de 2006, logo no começo das aulas, fomos fazer um trabalho de sociologia na casa de uma colega que eu odiava, peguei ela, pimbei ela e comecei a adorá-la, queria passar o dia inteiro adorando ela, mas tinha trabalho de dia, aula a noite, e no fim de semana, daí aguenta né champs, no começo foi muito legal, ela fez eu parar de andar igual um cara de 40, me arrumou pra parecer o de 20 que eu era. E eu tinha cabelo, aparentava mesmo, haha
Daí me apresentou pras amigas e pros amigos, turma essa que eu odiei inteira, e senti que todos me odiaram, ficar com ela começou a ficar ruim, porque eu tinha que estar presente nas coisas da família dela e ela nunca podia ir nos churrascos da minha família, pra eu finalmente tirar esse carma do couro?
Num desses dias antes do carnaval ela reclamou que eu estava andando igual a um piá, que eu precisava de uma postura mais adulta, hahaha, isso depois de fazer de tudo pra eu parecer mais novo...
Eu já tava apaixonado demais pra mandar ela tomar no cu assim, de qualquer jeito, sabia que sentiria a falta dela mesmo com todo o clima ruim que já tinha contra, pensei pela primeira vez em fazer uma habilitação e comprar um carro como todos os primos faziam na época, tudo pra ver se a mulher para de encher um pouco e se aquieta, mulé gosta de carro mesmo, haha.
Chegou a semana do carnaval, como combinado desde o verão, carnaval é em Torres né, a convidei, não quis ir junto, como esperado, tudo bem, faz a tua, eu faço a minha, na volta a gente se fala.
Na volta a gente nunca mais se falaria, antes de viajar ela me chamou e gente teve essa conversa:
"O problema não é você, sou eu." Bullshit, todas aquelas merdas que uma mulher metralha enquanto acaba contigo pensando já em outro.
Ela iria pra praia no Carnaval com o ex-namorado e com ele ficaria até não sei quando, porque nunca mais mantive contato, talvez estejam juntos até hoje. Me moendo por dentro, fui frio com ela em todas as vezes que ela vinha falar comigo, nem queria conversar, já bastava ver aquele cara pegando ela toda noite na saída da faculdade.
Eu já havia sofrido por mulheres que com o tempo percebi que eu amava muito mais do que essa, mas pela forma que tudo se deu sinto que ali mudei muito da minha personalidade e de como ajo e consigo confiar no ser humano.
Mas né, sigo conseguindo gostar de pessoas, decepção faz parte da vida.
domingo, 23 de agosto de 2009
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